Aldous Huxley, autor de o Admirável Mundo Novo, quando escreveu este livro, imaginava uma sociedade em que não houvesse liberdade individual e a felicidade fosse obtida através do uso das drogas. Quando li pela primeira vez, refleti sobre quão abominável seria ter a faculdade de pensar, subtraída por imposição do Estado. Mas, ao fazer a releitura e comparar com a realidade atual, noto que nenhum tipo de coação física ou moral foi necessária, para passarmos a viver algo parecido com o que previu Huxley.
Émile Durkheim escreveu muitos anos atrás que não existe espontaneidade nas relações humanas. Que somos condicionados, desde a tenra infância, a pensar como o grupo social deseja. Certa vez, estava assistindo uma palestra e confesso que na ocasião conversava, sem prestar atenção, quando de repente o público aplaudiu. Na mesma hora, aplaudi também. Neste instante, refleti: “o velho Durkheim deve estar certo”. Pode parecer bobagem, mas é impressionante a quantidade de coisas sem sentido que fazemos, simplesmente reagindo a estímulos.
Experiência interessante é perguntar aos amigos, sobre o por quê de estarem seguindo determinado caminho? Pode ser em relação ao curso que estão fazendo ou até mesmo sobre quem está namorando. Em regra a resposta vai ser banal: “este curso é legal” ou “ela (e) é linda (o) demais”. A maioria de nós é como um barco, que enfrenta uma forte corredeira (a vida) sem nenhum tipo de controle. Apenas as águas do rio sabem aonde iremos parar.
Na verdade, como Huxley temia, a existência de grande parte dos seres humanos é uma experiência vazia e sem significado. Não há motivo para nada, a não ser superficialidades. Buscamos a felicidade nas drogas. Drogas químicas ou drogas emocionais, como relacionamentos frívolos, o alcoolismo e outras bobagens completamente sem importância que tanto desejamos.
Durkheim falava de uma espécie de “consciência coletiva”. O modismo social, talvez seja a principal manifestação desta crença. Todo mundo quer aparecer e ter alguns minutos de fama. Não importa quão ridículo precise ir, para obter este resultado. Por isso falamos alto e estamos sempre buscando chamar a atenção. No fundo, o objetivo é ser o ganhador do Big Brother. Queremos apenas um instante de magia. Nem por um milionésimo de segundo, somos capazes de pensar quão fútil e ridícula é esta atitude.
Mais triste, é constatar que não foi preciso nenhum tipo de estrutura social ou poder do Estado, para que abríssemos mão do direito de pensar. De livre e espontânea vontade, fizemos isso. Não lemos, não escrevemos, e com isto nos desumanizamos. A forma passou a ser fundamental. O conteúdo, dispensável.
Instituições de ensino noticiam que seus alunos são os melhores, mas estes mesmos alunos são mesquinhos e egoístas, incapazes de elaborar um pensamento sobre determinados assuntos ou mesmo falar sobre uma simples poesia. Não lhes é ensinado a dizer “muito obrigado”, “por favor” e “com licença”. Que educação é esta?
Nosso medalhista de ouro em Pequim, César Cielo, só conquistou admiração, porque venceu a prova dos 50 metros nas olimpíadas e tornou-se famoso. Quase todos gostariam de ter a notoriedade que ele tem agora. Porém pergunto: quem se disporia a ficar meses e meses só treinando, sem nenhuma diversão, para atingir um objetivo? A maioria não abriria mão nem de um único final de semana.
César Cielo é muito mais do que um campeão olímpico. É um vencedor da vida, pois sempre teve um objetivo e partiu com determinação para conquistá-lo, abrindo mão dos tão valorizados momentos de lazer. Enquanto muitos freqüentavam o Show da Ivete Sangalo, Cielo treinava duro para ser campeão.
Seria extraordinário se a vitória de Cesar Cielo nos inspirasse a perseguir objetivos. A pensar como indivíduos, ao invés de bando. Seja no esporte, seja nos estudos, seja no dia-a-dia, é fundamental ter um sonho a alcançar e se entregar com afinco e paixão, não só pelas medalhas ou pelos holofotes que isso possa nos trazer, mas, principalmente, para mostramos a nós mesmos, que quando queremos algo de verdade, somos capazes de tornar sonhos, realidade.
Claro que isso só acontece com sacrifícios, mas são os sacrifícios que no final permitirão que possamos dizer: Eu Venci! Eu venci!
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12 comentários:
Sem Dúvida concordo com vc.
O Homem se insentiva com furtalidades e não se comove com vitórias belas e lutadas (como a de Cielo), mas há exessões!
No momento em que foi anunciada a vitória de Cielo eu estava em uma mesa do lado de fora de um Bar Com amigos da faculdade. De dentro do bar aonde estava sendo transmitido o jogo, um amigo chegou a porta e gritou: É Brasil! è ouro!!!! Todos saimos da mesa correndo em direção ao bar para ver quem tinha conseguido. Todo o local foi contagiado por uma emoção de ser brasileiro, porém esta é sentida somente nesses momentos.
Acrescendo seu post, acho que o que falta ao Brasil é que ele seja uma nação não só na copa do mundo ou nas Olimpiadas, mas temos que se unir em uma nação também na convivência, no dia a dia e nas urnas.
Não deixemos que a Tv nos torne objeto de sua audiência. Big Brother Brasil, Domingão do Faustão, Programa do Gugu e toda essa inutilidade é apenas um meio de entreterimento pobre e podre não um exemplo de vida e luta como a vitória de Cielo foi.
Muito legal a sua colocação com relação a este assunto. Porque sempre vejo pessoas, e me relaciono com elas, dizendo: "Que pessoa inteligente!" Mas esquecem que inteligência sem vontade não é nada.
Por isso, para concluir e acrescentar ao seu texto...
INTELIGÊNCIA NÃO É NADA, VONTADE É TUDO!
Grande abraço.
Renata Cretton
Bela relação que vc traçou entre o "deixa a vida me levar" e o modo de vida em que realmente sabemos pra onde queremos ir, no qual deixamos gravada nossa marca nesse mundo... É realmente mto triste viver apenas por viver, uma existência vazia. E César Cielo é no momento atual o exemplo perfeito de q o esforço nunca mente, e de q a verdadeira liberdade vem da disciplina.
Ultimamente tenho exatamente refletido sobre a autenticidade da minha vida, não penso se vencerei, mas sim se vivi e se tenho dignidade para dizer isso. Faço da verdade a minha vida a minha própria existência na crença dos valores que adquiri, não deixo para tráz o que sou apenas somo com o que estou sendo. Quanto ter a admiração dos outro, acho perda de tempo. Hoje a grande maioria é egoista e jamais terá dignidade de admirar ou valorizar o outro a quem julga ser seu concorente.
Não estamos trancados em uma casa do BBB, mas estamos juntos respirando o mesno ar que juntos poluimos. Um momento de magia talvez seria adquirir um instante de consciência, para ver o que realmente é o significado de viver. Muitos dizem: Viver e não ter a vergonha de ser feliz... Mas só fazem vergonha com as suas felicidades. Fazer o que né.
Eu estou aprendendo a SURFAR...Para mim o mundo não é novo é apenas admirável com suas novas ondas.
Thompson, ler um texto seu é extremamente enriquecedor,pois vc consegue transportar mt sabiamente, para a nossa querida tela em branco, palavras q nos fazem pensar em atitudes q passam despercebidas, nesse nosso cotidiano ditado por uma sociedade cada vez menos humana e mais mecânica. Me sinto honrada em me confiar à fazer criticas nesses belos ensinamentos de vida. A cada dia, venho tentando aprender a ser uma pessoa melhor, mais humilde, mais segura, mais direcionada, e isso pq tenho um professor q em suas "aulas", me ensiou q as critica q recebemos e q deixamos inspirar mudanças, são mt mais proveitosas do q apenas concordar sem questionar, e graças a mt ouvir e tb a um esforço próprio e um dom q me foi dado, tenho conseguido me aprimorar, sabendo q ainda falta mt p chegar a ser tao fantastica e surpreendente como meu tao estimado professor Ronald Thompson!!
Valeu Thompson
Realmente vc está coberto d razão. Por mts vezes nos acomodamos com o simples da vida e naum buscamos akele algo mais q tanto almejamos.
Alemejar eh uma coisa, conquistar eh outra totalmente diferente. Talvez se todos nós q desejamos tanto algo, conseguissimos alcançar pelo menos 1/3...Td seria bem mais intaressante!
Realmente Émile Durkheim era muito sábio. Passei tanto tempo achando que estudar suas filosofias era inútil e agora consigo enxergá-lo com mais clareza.
A verdade é que reagimos mesmo a estímulos e assim nos renegamos o direito de pensar e passamos a agir insensatamente sem objetivos a alcançar.
Adorei o post ! (;
beijos ;**
É interessante o que o seu texto argumenta acerca dessa tal liberdade limitada ou condicionada pelos fatores sociais de Durkheim.
O senso comum, de fato, é um grande mal, cuja permissividade ao ser humano é pouca e não o faz crescer enquanto mente construtiva de idéias sigulares, comportamentos mais condizentes com a sua real estrutura de vida, enfim, o senso comum, em muito, aprisiona o homem, transportando-o a uma verdadeira ilha em um mar de angústias!
O exemplo de César Cielo eu comparo, audaciosamente, com o náufrago Robson Crusoé, o qual antes era condicionado, como qualquer outro homem, a viver sob as "amarras da sociedade", desta vez a do século XVII. Com as escolhas, o lazer, a vida, de alguma forma, voltados para o bem social, como "todos" faziam, ou pelo menos deveriam fazer: ficar inertes ante a realidade; quem sabe presos no "mito da caverna", acostumados com as sombras das iguarias mentais. Robson, assim como Cielo, porém, soube desfrutar de sua liberdade, construir seu mundo, para então viver de acordo com suas vontades e percepção da vida, dentro da ilha, para no fim sair vitorioso!
Não vale mesmo a pena estar conformado com esse tipo de prisão. Já dizia Kubrick, em seu filme A Clockwork Orange, "a prisão que ensinou" e ainda ensina "o sorriso falso, as mesuras da hipocrisia, o riso untuoso, dissimulado, bajulador".
Parabéns pelo texto!
Poxa... muito legal seu texto! concordo com vc!!!
Se queremos ser alguem nessa vida, chegar em algum lugar, temos que ter objetivos! ate pq sem objetivos nao somos ng... é pra conseguir o que queremos muitas vezes temos que nos privar de muitas coisas!!!
Parabens Thompson!!!!
Muito legal!!!
Michelle
pensar nas pessoas como você descreve, é triste, mas é a pura realidade...
precisamos viver mais a sinceridade e a alegria que é viver, não só com futilidades, com festas e bebedeiras.
mas sim dizendo 'eu te amo' de verdade.
seus pensamentos (apesar de grandes.. hahaha) são ótimos de ler ((:
Fique com Deus ;*
Seu texto me faz lembrar de algumas frases:
"O sucesso é 1% de inspiração e 99% de transpiração" - Thomas Edison
"A maioria das pessoas que fazer para aparecer. Poucas querem aparecer pra fazer" - Ademir Santana
"Para terminar em primeiro, primeiro é preciso terminar" - Juan Manoel Fangio
"Não existe meio termo, ou fazer faz algo bem feito, ou então não faz" - Ayrton Senna da Silva
Valeu
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