Uma das coisas mais difíceis da vida é acreditarmos em nós mesmos. Normalmente pensamos que não somos capazes de atingir os objetivos traçados. Até quando conseguimos, lá dentro imaginamos ter sido muita sorte ou ajuda do sobrenatural. Fico pensando no homem pré-histórico, existindo num mundo de fenômenos tais como chuvas, relâmpagos, raios e trovões. Sentindo-se totalmente inábil para controlar a própria vida. Deve vir dessa época a percepção de incapacidade que nos habita.
Milhares de anos depois, em pleno século XXI, apesar das provas em contrário, continuamos nos sentindo incapazes. Mahatma Gandhi, líder da independência indiana e um dos mais importantes seres humanos de todos os tempos, disse: “O homem se torna muitas vezes o que ele próprio acredita que é. Se eu insisto em repetir para mim mesmo que não sou capaz de realizar alguma coisa, é possível que realmente seja incapaz de fazê-la. Ao contrário, se tenho a convicção de que posso fazê-lo, certamente adquirirei capacidade de realizar, mesmo que não a tenha no começo”.
Para dar um exemplo prático sobre o que estou falando, gostaria de contar a história desse jovem negro que morava no sul dos Estados Unidos na época da segregação racial, cujo grande sonho (não é exagero) era ganhar um salário mínimo. Quando estava com 16, 17 anos resolveu fugir de casa (coisa comum na época) em busca de um futuro melhor. Dessa maneira foi parar em Chicago, morar na casa de um tio, que logo lhe arrumou um emprego de varredor de rua, ganhando um salário mínimo.
Realizara o objetivo e estava feliz da vida. Porém, começou a sentir que faltava alguma coisa. Concluiu que era uma esposa. Em determinado sábado, tomou aquele banho, vestiu a melhor roupa e logo de manhã saiu procurando a futura companheira pelas ruas de Chicago. Isso mesmo, simplesmente acordou e falou “é hoje”. Andou durante toda manhã e tarde, procurando nos rostos das mulheres que passavam pela rua, por sua amada. Já à noite, estava muito cansado, ao avistar num ponto de ônibus aquela bela jovem. Aproximou-se, disse quem era, o que estava fazendo e que queria casar-se. Óbvio que ela riu da proposta inesperada. Pior que isso, começou a ficar preocupada e com medo daquele lunático. Para se ver livre, fingiu que concordava e apontou um café do outro lado da rua, marcando para dali uma semana novo encontro.
Ao subir no ônibus, aliviada, pensou consigo mesma algo do tipo "ME LIVREI". Durante a semana riu muito, contando as amigas sobre aquele maluco que conhecera. No entanto, sábado de manhã, acordou pensando no encontro marcado. Não conseguiu almoçar de tanta angustia. A tarde tomou-a de grande ansiedade e a noite não acreditou quando se viu arrumada indo para o café. Para encurtar a história, duas semanas depois, casou-se com o jovem da nossa história.
Após o matrimônio, mudaram-se para Nova Iorque. Foi quando ele arrumou um “bico” para trabalhar fazendo faxina no famoso torneio de tênis, US OPEN. Ficou impressionado com aquele mundo de glamour e riqueza. De repente uma luz parece ter se acendido em sua cabeça. “Já sei! Descobri! Vou para casa, fazer um filho e ele vai se tornar campeão do US OPEN”.
Mudou-se para Califórnia e após algumas tentativas, o resultado foi nascimento de apenas meninas. Mas este jovem nunca se sentia derrotado. Apenas pensou que amava as filhas da mesma forma como se fossem meninos e que as treinaria para serem campeãs. Muitas foram às gozações dos amigos e parentes, do tipo: “tênis é um esporte para brancos”. Mas isto só durou até o dia que esse fantástico Senhor Williams, consegui ver suas filhas, Vênus e Serena, se transformarem em duas das maiores jogadoras de todos os tempos.
Perguntado por um repórter se o fato de não haver negros praticando tênis, não lhe casou nenhuma dúvida sobre o sucesso do objetivo, respondeu simplesmente: “Pelo contrário. Foi justamente ao ver que não havia negros nesse esporte é que me fez perceber uma grande oportunidade, já que as vagas eram muitas”.
Impressionante, não é mesmo? É no que dá acreditar que é capaz de escrever o próprio destino. Tomara que o espírito do senhor Williams nos contagie, fazendo de nossa existência o palco de muitas realizações.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
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