sábado, 10 de dezembro de 2011

Sisifo e a febre do facebook

Não há dúvidas de que os programas de chatroom e as redes sociais estão ocupando a cada dia mais espaço na vida das pessoas. Antigamente existia (não sei se ainda existem) o MIRC e o IRC. Depois veio o ICQ, superado posteriormente pelo MSN. Então, supremo surgiu o Orkut, mas agora a febre é o facebook. Não esqueci o twitter, nem os blogs, micro blogs e Vlogs. São tantas novidades eletrônicas, que confundem qualquer mortal.
O que acho mais curioso é a necessidade de contarmos ao mundo, sobre tudo o que acontece conosco. Estes dias li, enrubescido, o facebook de uma amiga, que postou algo como: “Dia chuvoso. Meus pais viajaram. Meu namorado veio aqui para casa. Foi bom demais”. Ual. Devo confessar que passei o dia imaginando sobre como teria sido ‘bom demais’ (risos).
Na verdade o que gostaria de saber é o porquê das pessoas terem a necessidade de contar ao mundo, até mesmo sobre sua vida intima. Lógico que num tempo cujo programa de maior audiência televisiva é o BIG BROTHER, e ter gente que paga caro para ver meia dúzia de Q.I.s amebianos conviverem, natural que o modismo seja tornar a própria vida de domínio público. Minha amiga, a psicóloga Geany Andrade, apontou também como uma das causas deste boom virtual, a necessidade de demonstrar que se está incluído. Segundo ela, num mundo interligado pela virtualidade, o simples fato de sair com os amigos, precisa ser comunicado, para demonstrar que a pessoa freqüenta os lugares certos, o que lhe confere status e lhe dá mais aceitação.
Só fico desapontado quando alguém escreve que não suporta acordar cedo, nem gosta de estudar ou trabalhar e que acha chato qualquer assunto com um pouco mais de substancia cerebral. Imagine que sociedade estaremos construindo, se todos acordarmos depois do meio dia, não gostarmos nem de aprender, nem trabalhar e ainda bocejarmos quando um assunto importante nos é apresentado.
A vida adulta pressupõe responsabilidades. E isso não é ruim. Meu trabalho me diverte. Lógico que ganho dinheiro escrevendo. Mas não é só isso. Existe o prazer de ouvir as pessoas elogiarem meus textos ou meu programa de rádio. Isto só é possível pelo esforço que faço desde a infância em aprender. Quero destacar que a palavra esforço é empregada no sentido de dedicação, pois de maneira alguma é penoso descobrir coisas novas.
Como exemplo, estes dias coloquei lá no Google o nome Sisifo e descobrir que este personagem da mitologia grega, desafiou os deuses e como punição tem a tarefa de empurrar ladeira acima uma pedra de mármore extremamente pesada, sendo que todas as vezes que atinge o cume, a pedra cai e Sisifo é obrigado a começar novamente. De repente fiquei imaginando que quando as pessoas aceitam viver sem buscar superar as próprias limitações, são como Sisifo, e passam suas existências de maneira vazia, empurrando ladeira acima a simbólica pedra do esforço sem sentido. É uma lamentável perda de tempo.
Só para deixar claro, eu também tenho facebook, Orkut, MSN, ICQ, Twitter e Blog. São ferramentas indispensáveis ao meu ofício. Dão-me a oportunidade de mostrar alguns trabalhos, como este texto, que passariam despercebidos, se não fossem estas janelas. Então, minha reflexão é para que tenhamos a sabedoria de usar a tecnologia, sem deixar que a tecnologia nos use.
O escritor Richard Bach, no clássico Fernão Capelo Gaivota, demonstra que ficar apenas na praia, pegando peixe, torna a existência fútil e sem sentido. Importante é aprender a voar, mesmo que para isso tenhamos que criar a coragem de ir aonde os outros não ousariam, pois voando aprendemos que longe é um lugar que não existe.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Nada é constante!



O que é constante? Na vida tudo muda num rápido segundo. Basta o tempo rápido de olhar para o lado, quando estamos na direção de um veículo, para sofrermos um acidente. Mas também, por vezes, é necessário somente um olhar, para conquistarmos a atenção da pessoa amada.
Temos por hábito desprezar os detalhes, pensando que basta estar atento ao que é macro. ‘Fazer o arroz com feijão’, como se diz costumeiramente, para poder ser feliz. Richard Bach, em seu famoso livro, Fernão Capelo Gaivota, já nos narra sobre os pássaros que vivem na beira da praia, pescando peixe, sem desenvolver sua habilidade natural para voar. Até existem, mas não vivem na intensidade máxima que deve buscar cada ser que habita este lindo planeta azul, chamado Terra.
Há aqueles que pensam que viver é freqüentar todas as baladas, divertir-se ao máximo. Pobres almas vazias, que insultam gênios como Michelangelo, Beethoven e Ben Carson. Homens que trabalhavam e estudavam muitas horas por dia, e somente assim, puderam superar os próprios limites, legando a humanidade obras maravilhosas, e o exemplo do que significa realmente “viver sem ter a vergonha de ser feliz”. Com certeza, a felicidade não está na ilusão da melhor das festas. Por vezes, se manifesta no silencio da noite, quando quem sonha faz os projetos, que algum dia vai tornar-se realidade.
Não desprezemos a força das palavras. Quando alguém nos encontra, e reclama algo sobre a própria vida, nos dá a oportunidade de dar-lhe um incentivo. Quem sabe a participação que nos cabe, é na verdade mostrar aos outros o potencial que estas pessoas possuem? Não vamos permitir que o sofrimento impeça o caminhar, até porque, quem conquistou alguma coisa, sempre esteve rodeado pelo insucesso, mas continuou na caminhada, até encontrar a vitória. Como escreveu Abraham Lincoln: “O campo das derrotas não está povoada de fracassos, mas sim de homens e mulheres, que desistiram antes de vencer".
Que bom que nada é constante. Que o universo está sempre mudando. Significa que se está em dificuldades, o próximo minuto poderá ser de pleno êxito, e se estamos num bom momento, que aproveitemos para amadurecer, pensando nos dias de inverno que inevitavelmente vão chegar, ensinado lições fundamentais sobre o que é realmente ser feliz.
Se conseguirmos nos manter caminhando, apesar dos fracassos, apesar dos sucessos, provavelmente ao chegar ao fim dos nossos dias, a vida terá valido a pena. Como nos disse o poeta Mario Quintana, com toda a sagacidade que lhe era peculiar: “Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo, é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça”. É verdade (risos).

Por Ronald Thompson

terça-feira, 12 de julho de 2011

Shakespeare inebriado


Entre as boas coisas da vida, estão os vinhos. Acabei de saborear um tinto do porto, que uma amiga trouxe recentemente de Portugal. Não sou enólogo. Longe disto. Nem imagino quais seriam os sabores de frutas a ressaltar. Mas, inebriado pelo magnífico paladar, fico imaginando o caminho daquelas uvas especiais, as melhores da colheita, até a mesa da minha casa, aqui no Brasil.
Nunca fui até a Europa, mas é difícil não ficar encantado por toda tradição histórica do velho mundo. Portugal é nosso descobridor, mas há diversas outras influencias na formação do caldo cultural de nossa nação. E não dá para falar em vinho, sem pensar na Itália, terra dos chiantis, vinhos de alta qualidade, tão bons quanto às histórias de amor da velha bota. É verdade que Shakespeare era inglês, mas Romeu e Julieta são italianos. Eles apaixonados trocaram:

ROMEU — Que me prendam! Que me matem! Se assim o queres, estou de acordo. Digo que aquele acinzentado não é o raiar do dia; antes, é o pálido reflexo da lua. Digo que não é a cotovia que lança notas melodiosas para a abóbada do céu, tão acima de nossas cabeças. Tenho mais ânsia de ficar que vontade de partir. — Vem, morte, e seja bem-vinda! Julieta assim o quer. — Está bem assim, meu coração? Vamos conversar... posto que ainda não é dia!
JULIETA — É dia sim, é dia sim. Corre daqui, vai-te embora de uma vez! É a cotovia que canta assim tão desafinada, forçando irritantes dissonâncias e agudos desagradáveis. Alguns dizem que a cotovia separa frases melódicas com doçura; não posso acreditar, pois que ela vem agora nos separar. Alguns dizem que a cotovia é o odiável sapo, permutam seus olhos; como eu gostaria, agora, que eles também tivessem permutado suas vozes! Essa voz alarma-nos, afastando-nos um dos braços do outro, já que vem te caçar aqui, com o grito que dá início à caçada deste dia. Ah, vai-te agora; ilumina-se mais e mais a manhã.

Impossível estar em sã consciência, quando surgem versos tão maravilhosos, que parecem penetrar em nossas mentes, num comunicado entre o divino e o humano. Oh amiga, muito obrigado pelo vinho. Só você, quando me ler, vai saber que pela pouca quantidade, estas palavras saltam dos meus dedos no teclado, sem nenhuma influencia de Dionísio ou de Baco. Mas são sim, resultado do sabor esplendoroso das uvas do porto.
E a vida? Hora, a vida não tem muito sentido. A não ser que quisermos dar um sentido na vida. E é elogiável viver com sabedoria, longe destas luzes fugazes das celebridades, mas na busca do sabor perfeito, seja do vinho, seja da mulher, seja dos sentimentos que fazem pulsar o coração.
E hoje, penso que o futuro não está escrito. Mas cabe a nós escrevê-lo, com o melhor das nossas habilidades, lutando por aquilo que acreditamos. Sendo gentis, pois boa educação é condição sine qua non da humanidade, mas sem nos curvarmos a meras opiniões alheias, a não ser que nos provem o contrário.
Viva o Porto. Viva a Romeu e Julieta. Viva ao que de melhor existe na vida.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Nova Iorque Por Aí

Quando criança uma das coisas que mais gostava era comprar O Globo aos domingos. Morava no bairro de Vigário Geral, no Rio de Janeiro, e acordava cedo para fazer a longa caminhada até a banca. Na volta, a aflição batia forte, pois ansiava começar a leitura. Abria o jornal e ia direto à coluna do jornalista Paulo Francis, Nova Iorque Por Aí. Naqueles tempos do inicio da adolescência, era tão bom quanto espiar uma mulher tirando a roupa.
Enquanto a maioria apreciava os comentários dele na TV, eu tinha a oportunidade de me deslumbrar com sua maneira singular de ver nosso país e o mundo. Frases como: “o Brasil é a única nação em que se leva o comunismo a sério”; “Fernando Henrique Cardoso é o primeiro presidente da República ao qual poderíamos levar para jantar em nossas casas, sem nos preocuparmos com as gafes que vai cometer a mesa”, ou “fumar maconha não faz mal nenhum. O único malefício a saúde vem daquele fedor horroroso”, são dele. Apesar da minha voracidade pelo conhecer, jamais tinha lido quem escrevesse coisas desse tipo.
Atualmente, mesmo com a multiplicação das colunas de opinião, dos blogs, do twitter, não surgiu ninguém assim. Tudo é absolutamente igual. Raro alguém ter coragem de defender posições contrárias a maioria. A imprensa goza de um poder inquestionável. Quando uma notícia é apresentada, os leitores, ouvintes ou telespectadores crêem nela sem nenhuma reflexão. Já as pesquisas de opinião são ordens divinas. Por exemplo, quando a maioria está consumindo determinada coisa, nos tornamos igualmente consumidores, sem crítica ou observação.
Por isso tenho saudades de Paulo Francis. Fico imaginando seus comentários ao saber que o Big Brother é o programa de maior audiência da TV brasileira. Sou capaz de apostar que escreveria algo do tipo: “isso prova que o brasileiro médio é um imbecil”. Qual colunista teria coragem de chamar boa parte dos leitores de imbecil? Nenhum. Francis o faria sem hesitar e os ofendidos ficariam ávidos a ler o artigo seguinte, ansiosos em saber qual o próximo xingamento.
O PT era um dos objetos prediletos. Certa vez escreveu que Lula deveria ser alfabetizado primeiro, antes de tentar ser o presidente da República. Contou que o imaginava num banquete, no Palácio de Buckinghan, comendo frango com as mãos, lambendo os dedos e dizendo que não tomaria o cafezinho no final, para a Rainha Elizabeth não ter que ir ao fogão.
A Petrobras foi outro dos grandes alvos de Francis. Disse que não conseguia conceber quanto seria o montante desviado pela corrupção na estatal. Denunciou supostas contas de seus diretores em paraísos fiscais, o que lhe rendeu um processo em Nova Iorque, pedindo reparação no valor de 100 Milhões de dólares. Amigos próximos acham que o stress causado pela ação o levou ao infarto fatal. A decepção vinha também de não ter recebido o apoio dos amigos de longa data da imprensa brasileira (exceção ao Hélio Gaspari).
O pensamento que mais gosto dele é o seguinte: “Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que o que ofende é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado”.
A verdade lamentável é que nós, brasileiros, em regra somos mesmo infantilizados. Trocamos o delicioso almoço pela bala vagabunda que compramos no botequim da esquina. Pensar, por vezes, dói. Pior ainda, vemos que estamos errados, mas teimamos em continuar nos mesmos desacertos, não importa se o tema envolve grandes questões nacionais ou o dia a dia das relações humanas, na família, com os amigos e no emprego. Por isso Paulo Francis faz tanta falta, e, ao nos chamar de imbecis, naquele rápido instante, aflorava a indignação latente e por segundos pensávamos por conta própria, sem seguir tendências populares.
“Quem não lê, não pensa e quem não pensa, será eternamente servo”. Um dos Diários da Corte (Nova Iorque Por Aí), que li em certo domingo, há 30 anos, continha essa frase. Resolvi então ser eu mesmo, encontrando meus gostos e minhas preferências e jamais tornar-me o boi que acompanha o estouro da boiada. É verdade que isso tem um preço, como certo isolamento, já que suas opiniões divergem da grande maioria. Contudo é exatamente por isso, que vale a pena e hoje posso fazer esse humilde elogio ao mais importante gênio do jornalismo brasileiro em toda a história: Franz Paul Trannin da Matta Heilborn, ou simplesmente Paulo Francis.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Batatismo

Estes dias estava assistindo televisão de madrugada, quando era exibida a famosa série A Família Dinossauro. No episódio foi apresentando o Livro da Batata, que todos deveriam obedecer sem questionar. Nele estava contido tudo de importante para um Dinossauro saber. O que não estava escrito ali era subversivo ou não interessava. Quem ousava questionar seus ensinamentos, era preso e queimado na fogueira.
O que não passa de piada ridícula na TV, é a dura realidade em paises como a Venezuela de Hugo Chavez. Nos últimos tempos o déspota bolivariano nacionalizou dezenas de empresas e ameaçou com sua ira todo aquele que se insurgir contra o que está fazendo. Inclusive, diversas emissoras de rádio e TV vão ter a concessão caçada a qualquer momento, já que não endossam os atos praticados por Chavez. Não é o mesmo batatismo da Família Dinossauro?
Triste sina da América Latina, que vive em busca de ‘líderes’ ou ‘salvadores da pátria’, seja na Venezuela, no Equador ou na Bolívia. Tudo indica que o ranço do atraso está impregnado nas entranhas da nossa cultura. Nacionalizar ou Estatizar empresas nos dias atuais é abraçar políticas saídas dos anos 30 e 40, no Século XX. Seria como abolirmos a luz elétrica, e adotarmos a lamparina; o vaso sanitário, pelo pinico e a televisão de LCD pelo rádio a válvulas. Pois é exatamente esta a América Latina de Chaves e Asseclas. Este dinossauro em tudo lembra o criador do fascismo na Itália, Benito Mussolini, e sua máxima: “Tudo pelo Estado. Tudo para o Estado. Nada fora do Estado”. O resultado foi à aliança com o nazismo, o assassinato da oposição e minorias étnicas, que desembocou na destruição e miséria da Segunda Guerra Mundial.
Não se sabe qual será a alternativa da Argentina. As administrações dos Kirchneres têm sido desastrosas para o país platino. Lá também existe a crença do Estado provedor, que resolve todos os problemas do cidadão comum. Ou seja, acreditam no Papai Noel e no Coelhinho da Páscoa. Por mais belas que as lendas sejam, são mera ficção. Já Chile e Colômbia, por motivos diferentes, são muito mais realistas. O primeiro conseguiu superar anos da ditadura Pinochet, e com saudável alternância de poder, transformou-se em modelo de nação em busca do desenvolvimento econômico e social. Já a Colômbia, com sua proximidade política e militar com os Estados Unidos, na luta contra a narcoguerrilha das Farcs, não permitiram o enveredamento das idéias bolivarianas.
Mas e o Brasil? Não se tem resposta absolutamente conclusiva. No plano interno, parece que a partir da Constituição de 1988, o compromisso com a democracia e com o Estado Democrático e de Direitos, tem se consolidado a cada dia. A edição de legislações como o código de defesa do consumidor, o estatuto do idoso, o estatuto da criança e do adolescente; parece mostrar que depois de sofrermos nas mãos dos batatistas por tanto tempo, optamos pelo fortalecimento das instituições e não dos homens. Estamos ainda no início do caminho rumo à civilização, que certamente passa por leis que limitem o poder do Estado ao mínimo exigível, como ocorre em qualquer lugar que chamamos de desenvolvido no mundo. Neste aspecto, Fernando Henrique Cardoso e Lula, apesar de parecerem opostos, são sinóticos, pois suas administrações, mesmo com críticas a serem feitas, jamais se colocaram contra a ordem estabelecida. Isso é maravilhoso, principalmente se olharmos nossa história recheada de caudilhismos.
O que preocupa é o front externo. O Itamaraty abraçou o pragmatismo comercial de tal maneira, que nem importa sair na foto com ditadores em que até mesmo mandato de prisão da Corte Internacional de Justiça, possuem. Em recente visita até a África, foi o que se viu. Enquanto quase todo o Mundo condenou a possível fraude nas eleições iranianas, o Brasil apoiou o regime dos Aiatolas. Na América Latina, o BNDES virou banco de fomento na Venezuela, Equador, Bolívia e etc. Até onde iremos?
Infelizmente, a grande maioria dos brasileiros pouco se importa com questões relacionadas à política externa. O perigo de ter fronteiras com nações cujo pensamento é estruturalmente diverso do nosso, são as guerras. Isto é fato verificável não só nas relações atuais, mas também ao longo da história. Lógico que não estamos nos referindo ao curto ou médio prazo. Contudo o que acontecerá nas fronteiras nacionais, quando um governo estrangeiro resolver testar de verdade nosso limite? Espero que nunca precisemos descobrir, pelo bem das próximas gerações.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Verdadeira Beleza


O que é a beleza? Essa pergunta, que em princípio pode parecer retórica, encerra a real ansiedade de grande parte dos habitantes deste pequeno planeta azul, de nome Terra. Basta notar a preocupação com o corpo, que lota academias de ginásticas em todos os cantos do globo, e confirmar minha afirmação. Mas será que nossa percepção do belo corresponde à realidade e pode proporcionar o que buscamos?
É indiscutível o poder que a mídia possui nestes tempos atuais, e é usando este poder, que dita um estilo de vida cujo pilar fundamental é o consumismo e a beleza física. O resultado são celebridades vazias, que mal sabem expressar qualquer tipo de pensamento ou emoção, deixando até os mais críticos em dúvida se conseguem pensar e sentir. Exemplo nítido é a arte de interpretar, onde substituíram atores e atrizes com talento, por seres saídos de programas como o Big Brother. Então, se por certo é prazeroso ver as formas longilíneas da Sabrina Sato, é melhor por sua TV no mudo, uma vez que ouvir o que ela diz sacrifica os ouvidos.
Talvez o pior efeito disto tudo é que muita gente anda construindo suas relações amorosas com base única e exclusiva neste critério, então, após certo tipo de convivência, o que ocorre são corações dolorosamente partidos. Mais triste é verificar que estas experiências não parecem demonstrar o erro cometido, pois logo em seguida escolhem outro parceiro (ou parceira) dentro dos mesmos critérios e tudo se repete. O poeta inglês, John Donne, escreveu: “o amor construído sobre a beleza morre com a beleza”. Esta pérola de frase, se assimilada pela maioria dos jovens, pouparia lágrimas e sofrimentos.
Num mundo onde, nem a família, nem a sociedade, nem as escolas e os colégios, nem o Estado, preocupam-se com a educação, o sofrimento há de bater nas portas dos que não sentem a beleza que há no olhar de uma criança, numa flor silvestre, numa obra de arte e mesmo nas coisas simples da vida. Fundamental que as famílias redescubram a importância de sua atuação, para que seus filhos não se tornem autômatos, que só refletem o que lhes ditam, sem nenhuma personalidade verdadeira. Isso passa por ensinar respeitar aos mais velhos, noções básica de certo e do errado, do amor e de compaixão. Já as escolas (e universidades) devem deixar de ser apenas instituições de transmissão de conhecimento, pois para isto são absolutamente dispensáveis.
Importante é ensinar sobre os grandes clássicos da literatura, não na posição dogmática de atribuir notas na prova (dane-se a prova), mas fazendo-os discutir temas que estão sublimados em textos de Shakespeare, Cervantes ou qualquer grande pensador. Há colegiais que tiram notas altíssimas no vestibular, no entanto, nunca ouviram falar em Dom Quixote ou Otelo. São frutos de instituições de ensino cuja filosofia é voltada somente para beleza da forma, mas que dispensaram o conteúdo há muito tempo.
Se família e escola unirem-se por esta modificação, ocorrerá radical transformação na comunidade, forçando a sociedade e o Estado a mudarem sua atitude irresponsável com o futuro das novas gerações. Afinal de contas, só existe Big Brother, porque há quem se proponha a assistir este show de bizarrices. Quem é educado, no sentido verdadeiro desta palavra, não consome programação assim ou qualquer similar. As emissoras de TV mudariam o foco, investindo na qualidade.
O pensador Ralph Emerson disse que “a beleza sem expressão é entediante”, e que “a beleza sem a graça, é como o anzol sem a isca”. Então, vamos encher de ‘expressão’ e ‘graça’ a formosura que os aparelhos de musculação nos proporciona, fazendo surgir o que é verdadeiramente belo e está latente dentro de nós.
A alma sensível de Antoine de Saint-Exuperry nos deixou a seguinte frase: “foi o tempo que perdi com minha rosa, que a fez tão importante”. E você, quanto tempo anda ‘perdendo’ com seu filho ou aluno? Será que sua babá está ‘educando’ seu filho? Será que sua escola dita as normas, e você somente obedece, com medo de perder o emprego? Lembre-se que nestas respostas reside o amanhã.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Evolução e Involução


Quanta evolução tecnológica neste início de século XXI. Nosso cotidiano está repleto de novidades que há apenas algum tempo só era possível em filmes de ficção científica. Sem esquecer que há 40 anos, cirurgias cardíacas eram prenúncio de morte e hoje hospitais como o INCOR realizam rotineiramente tal procedimento, com enorme sucesso. Mesmo a AIDS tem tratamentos que permitem aos pacientes viverem normalmente por longo período. Quantos avanços teremos nos próximos 100 anos? Nem George Lucas ou Steven Spielberg conseguem imaginar.
No entanto uma parte desta equação evolutiva não está no mesmo ritmo: o homem. Refiro-me não somente aos grandes eventos, como as guerras e o terrorismo. Principalmente falo do dia-a-dia, quando nos deparamos com demonstrações de egoísmo, arrogância e maldade. Coisas simples, como ceder lugar aos idosos ou mulheres grávidas, só acontece se uma lei determinar. Gente maliciosa cruza nosso caminho e nos faz sofrer propositadamente. A cordialidade e o bom caráter estão fora de moda.
Fiquei estupefato ao ler notícias sobre a estudante Isabella Baracat Negrato, de 20 anos, morta supostamente por overdose de drogas e álcool, num Cruzeiro Universitário. Os jornais publicaram que mesmo sabendo do falecimento, os passageiros do navio não deixaram de realizar a festa daquela noite. Pesquisando uma comunidade do Orkut, achei a seguinte declaração, transcrita com os erros gráficos da postagem: “po maninho... acho q vc tah se preocupando mto com a vida dos outros ... quem quis beber: bebeu, quem quis fumar: fumou... e o resto eh o resto... kd um assume suas consequencias...”.
Como o cruzeiro é voltado aos universitários e custa cerca de quatro ou cinco mil Reais, estamos falando de pessoas da classe média, estudantes do nível superior. Gente que em tese teve bons colégios. Acontece que escolas e universidades brasileiras cada vez mais se preocupam com o conteúdo programático do currículo, assim como nas técnicas de ensino, para que possam exibir orgulhosos seus alunos aprovados com louvor em vestibulares ou concursos públicos. É uma vergonha, afinal de contas transmitir ensinamento não é educação, e sem ética, produzimos uma geração capaz de tirar 100 na prova, mas que não aprendeu o que é respeito.
Habituamo-nos com o pensamento que é preciso viver intensamente. Como diz a letra da música, “sem ter a vergonha de ser feliz (...)”. Estas idéias soltas como estão, na mente de gente vazia de valores, leva ao raciocínio do “ser feliz a qualquer custo”, sem importar se estou magoando ou ferindo, até mesmo aos que me amam. Vivemos pelo instinto e por isso, no tal cruzeiro, há relatos de meninas que “ficaram com dez caras”. Até animais no cio, escolhem apenas um para acasalar.
O pensador alemão, Nietzsche, disse que o homem não evolui. Que somos tão bárbaros hoje, como éramos há Dez Mil anos. Que a verdadeira natureza do ser humano é a maldade, por isso não deveríamos nos envergonhar de fazer qualquer coisa para conquistar o que queremos. Já seu contemporâneo, Kant, pensava de forma contrária. Que o homem evolui sim. Que a arte, a literatura e a música, são provas cabais da bondade que nos habita, e apesar de cometermos atrocidades, podemos apreender e construir um mundo melhor.
Provavelmente existir é enfrentar todos os dias o dilema destas correntes filosóficas. Atuar por impulso ou caminhar no fio da ética, com a certeza de que estar vivo representa bem mais do que sexo, poder, dinheiro ou status social. Está na hora de discutirmos abertamente assuntos como estes, sem dogmas ou verdades absolutas, apenas buscando dialogar francamente sobre a responsabilidade que nos cabe, na edificação do futuro que queremos.
Quem sabe nossa vitória tecnológica esteja garantida, mas tenhamos que lutar a batalha diária dos nossos corações, cada vez que fazemos uma escolha. O filósofo Péricles escreveu: “o que você deixa para trás, não são monumentos de pedras, mas sim o que fica gravado na vida dos outros”. Pensar antes de agir, levando em consideração o que é certo ou errado, é escolher o caminho da evolução e da longevidade da espécie humana.