Mais uma tragédia automobilística. Desta vez perdemos o Juliano, a Daiana e mais uma jovem, em Campos dos Goytacazes. Nem sei quantas foram às pessoas conhecidas, falecidas na flor da juventude, em acidentes ultimamente. Por que isso acontece? Em que estamos falhando em evitar estas tragédias? São perguntas que precisamos fazer, se quisermos mudar as estatísticas, que mostram que morrem mais gente no trânsito no Brasil todos os anos, do que morreram americanos durante toda guerra do Vietnam.
Acho que é preciso acabar com a estúpida idéia de que juventude é sinal de irresponsabilidade. Parece que ser jovem é beber muito, dar porrada em que se opõe, dirigir em alta velocidade e exibir um sorriso, querendo mostrar que tudo está bem, quando na realidade, há muitos problemas e inseguranças no fim do arco-íris.
Há ainda os que incrivelmente não amam a própria vida. Falam: “se morrer, que se dane. Todos morrem um dia”. Na verdade não passam de egoístas, incapazes de pensar nos amigos e familiares que os amam mais do que eles amam a si mesmos. É verdade que todos vamos morrer um dia, mas por que não morrer de velhice, depois de uma grande vida, cheia de aventuras e conquistas?
A falha não é só dos jovens. Os adultos também são culpados, quando se eximem de mostrar que viver é mais do que aparência. Que educação não é apenas dizer sim, e nem tão pouco dizer não. Educação é mostrar caminhos. Mostrar que embora mergulhar no rio seja ótimo, vão sempre existir pedras no fundo, que podem ferir nossos pés. Mas acima de tudo, dar aos jovens o entendimento de que há muito mais emoção e aventura em outros tipos de descobertas.
Minha dor é muito grande. A Daiana era uma pessoa a quem amava profundamente, pois ela era a própria alegria. Entrar no ônibus para faculdade, sem ter o seu sorriso a iluminar o caminho, vai ser muito difícil. Embora me considere uma pessoa espiritualizada, não é fácil passar por esta perda.
Ninguém sente mais esta dor, do que sua mãe, Jani. Não há como consolá-la. Por isso, nem quero tentar. Só dizer a ela, que se a Daiana foi uma pessoa que durante este curto espaço de vida, deixou tantos amigos que a amam e vão sentir eternamente a falta dela, isto é porque você soube educá-la de forma correta. O seu luto é bem mais do que o nosso, assim como o luto da família do Juliano. Mas também há lágrimas escorrendo em nossos rostos, simbolizando não só a dor que sentimos, mas o amor que estas duas pessoas especiais souberam cativar em todos nós.
O romancista uruguaio, Amado Nervo, escreveu certa vez: "Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós". Creio que um dia nos encontraremos com eles e espero que possamos tirar lições desta tragédia e evitar que continue se repetindo.
Ronald Thompson é Jornalista e Acadêmico do Último Período de Direito, da Universidade Estácio de Sá – rthompsonfa@gmail.com
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2 comentários:
Realmente vivemos num mundo de provas e expiações, onde os embates contra nossas imperfeições, ainda insistentes, são constantes. E essas pelejas não poupam ninguém.
Todos temos conflitos, inseguranças, cometemos equívocos e sofremos as conseqüências do que plantamos.Ver a perfeição, a felicidade, apenas naquilo que não se tem ou no que os outros têm, é um tipo de comportamento que só gera insatisfação e no final quase sempre vidas.
Nos Estados Unidos, 10000 pessoas ficam paraplégicas em acidentes de trânsito por ano. No Brasil, são 10000 por mês.
A chance de morrer atropelado é 10000 vezes maior do que ser picado por uma cobra venenosa. Mesmo assim, as pessoas temem mais as cobras do que os carros...
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