“Possua um coração que nunca endurece, um temperamento que nunca pressiona, e um toque que nunca magoa”. Esta frase é do escritor inglês, Charles Dickens, autor, entre outras, de obras como Oliver Twist e David Copperfield. O personagem Scrooge, criado pelo autor, inspirou Walt Disney a conceber o famoso Tio Pathinhas.
Os escritos de Dickens têm uma temática social contundente. Quase sempre há os órfãos, os operários, pessoas pobres e boas, em contraste a esnobe sociedade inglesa. Principalmente a exploração dos homens, que teve um capítulo terrível durante a Revolução Industrial. Porém, pelo menos para mim, o que chama mais atenção é sua origem.
O pai de Dickens, John, era funcionário da Marinha Britânica e, pressionado pela sociedade da época, tentava ter uma vida acima das suas possibilidades financeiras. Certo dia, sem conseguir pagar a maioria das contas, foi detido e enviado a um presídio para devedores. Seus bens foram confiscados, e a família Dickens deixou o bairro nobre em que morava, indo para parte mais pobre de Londres, residir em quartos minúsculos, e passar grandes dificuldades.
Se para qualquer um de nós, hoje, no século XXI, isto já seria terrível, imaginem durante o século XIX, dentro da sociedade mais estratificada que existe, que é a britânica, cujo preconceito contra a pobreza e as classes mais baixas, é infinitamente maior do que a brasileira dos tempos de hoje. Outra grande humilhação, foi ter que vender os bens pessoais, como talheres e louças, para sobreviver, a outras famílias ricas, que até então freqüentavam a casa, mas agora só podiam entrar pelas portas dos fundos.
Nesse contexto, Charles Dickens, então com 12 anos, começou a trabalhar numa fábrica que produzia graxa para sapatos, colando rótulos nos frascos, ganhando o dinheiro que era todo usado para alimentar a família, e ainda ajudar o pai preso. Até conseguir publicar o primeiro grande sucesso, com cerca de vinte um anos, teve que trabalhar duro. Apesar de todo motivo do mundo para se tornar amargo, escreveu nossa frase: “Possua um coração que nunca endurece, um temperamento que nunca pressiona, e um toque que nunca magoa”. É isso que é realmente belo, e ilumina seus personagens principais com uma luz extraordinária.
Enquanto isso, numa época como a nossa, cujas oportunidades são infinitamente maiores, pessoas se lamentam pela falta de sorte. Muitas se considerando vítimas do acaso, prisioneiras do destino. Estes dias trocava e-mails com um grande amigo, de São Paulo, e comentei sobre uma frase que venho ouvindo muito ultimamente: “foi Deus quem quis assim”. Essa frase é ótima justificativa para tudo que fazemos de errado, afinal é só por na conta de Deus, e estamos absolvidos.
Em O Rei Lear, obra prima de William Shakespeare, o personagem Edmundo, faz a seguinte reflexão: "Eis a sublime estupidez do mundo; quando nossa fortuna está abalada - muitas vezes pelos excessos de nossos próprios atos - culpamos o sol, a lua e as estrelas pelo nossos desastres; como se fôssemos canalhas por necessidade, idiotas por influência celeste; escroques, ladrões e traidores por influência do zodíaco; bêbados, mentirosos e adúlteros por forçada obediência a determinações dos planetas; como se toda perversidade que há em nós, fosse por influência divina. É a admirável desculpa do homem devasso - responsabiliza uma estrela por sua própria devassidão (...)".
Podemos escolher entre seguir em frente e usarmos nossas dificuldades como aprendizado e inspiração para caminhos que nos levam aos valores realmente importantes na vida, ou deixarmos a canalhice que habita o homem tomar conta, nos tornando amargos, cruéis e egoístas. Incapazes de enxergar que o mundo não vive para saciar apenas nossas necessidades, e que exatamente a maior das belezas está em repartir, ao invés de receber. Já que estamos citando escritores ingleses, lembrei-me da frase de John Ruskin: “Quando um homem está envolvido em si mesmo, ele se torna um pacote muito pequeno”.
O mágico na vida é que a toda hora podemos mudar de direção. Basta querer e ter coragem para executar. Fundamental é deixar de lado todo sentimento de inferioridade que nos habita. Insegurança, inveja, remorso, ciúmes, mesquinhez, são como ancoras que não deixam que saiamos de lugar. Ilumine-se com amor, gratidão, fé e generosidade. Assim novas portas hão de abrir para que possa conquistar muitos sonhos e escrever uma história de sucesso.
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7 comentários:
“foi Deus quem quis assim”...(risos)
Frase rotineira,num sussurro ou num escândalo...
Devemos respeitar os calvinistas(risos).É democracia(Brasil: Estado laico)...
Porém,lutar e superar as condições inicias ou de determinado período é o que corresponde(parcialmente e em certa leitura)ao super-homem de Nietzsche...conhecer o que si é,e agir apartir disso,não se esquivando da responsabilidade,uma vez que só é creditado o mérito a quem assime responsabilidades sérias.Lutar é progredir.
Tolo é aquele que afundou seu barco várias vezes e continua culpando o mar -- Ditado árabe
Nossa Thompson, que lindo!! Tô me sentindo até "iluminada" depois de ler tanta coisa bonita... Uma verdadeira injeção de ânimo rsrs!! Parabéns pelo texto!!
"É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas, do modo mais simples"
Émerson
Olá Thompson! Q belo texto. O nome do blog é bobagem e bom senso mas, sinceramente, procurei a bobagem e n achei!! rsrs.
Vc tem uma forma mto particular de escrever de maneira simples e clara, coisas tão importantes, como neste caso a motivaçao - impulso tao desprezado ultimamente visto o comodismo e a procrastinaçao da nossa sociedade!!
=D
beijo
Olá Thompson!!
Muito legal o texto, você tem uma maneira muito legal de colocar coisas importantes de um mmodo simples e bem articulado fazendo assim a pessoa que está lendo refletir sobre o assunto.
Talvez seja mesmo, a frase tão dita por todos nós "foi Deus quem quiz assim" um significado de comodismo de nossa parte diante as irrelevâncias e acontecimentos de nossas vidas.
bjus e parabéns!!!
Cada dia seuz textos ficam melhores....
bjim***
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