
Essa época do ano é sempre cheia de reflexões. Pensamos como está nossa vida? Se estamos no caminho certo? Se somos realmente felizes? Talvez por isso seja um momento precioso, principalmente para aprender uma nova maneira de viver.
Há muitos anos atrás, assisti ao filme A Felicidade Não Se Compra, que traz a história do jovem George Bailey, cujo sonho era morar numa grande cidade e cursar a faculdade. No entanto, sempre acontecia algo que o impedia. Primeiro seu pai faleceu, deixando-lhe como herança uma pequena instituição de crédito, que o personagem mal do filme, Mr. Portter, quer tomar. Nosso herói resolve adiar por cinco anos sua partida. Envia então o irmão mais jovem para estudar, combinando que no momento de sua volta, este assumiria o negócio do pai.
Surpreendendo toda família, o irmão retornar noivo. Mesmo assim, disposto a ficar. Porém George descobre que ele tem esperando um belo emprego em Paris. Sentindo-se angustiado, finge que está satisfeito em gerenciar os negócios legados pelo pai e o desobriga do acordo.
Resolve então se casar com a namorada da infância. Vai morar numa casa caindo aos pedaços e tem uma lua de mel hilária, pois chove mais dentro do que fora da residência. O casal trabalha anos reformando o imóvel, construindo um lar maravilhoso, repleto de amor, onde vivem com os filhos.
Na empresa de crédito, usa um critério particular de liberar os empréstimos. Primeiro pergunta se a quantidade de dinheiro que o tomador está pedindo é exatamente o que precisa? E se está disposto a mudar alguma coisa no jeito de viver e então tornar-se merecedor do crédito? Assim, uma das personagens só recebe crédito para abrir a manicure, se deixar de se prostituir; o bêbado que quer comprar um taxi, precisa abandonar o vício; o leão de chácara, que quer ser policial, tem que deixar de fazer cobranças para agiotas; o homem que quer montar um bar, tem que garantir que não vai permitir jogos e nem vender bebidas alcoólicas.
Mesmo assim, a vida pessoal de George vai muito mal. Tem inúmeras dívidas e Mister Portter quer lhe tomar o negócio. Na véspera do natal, as coisas se agravam e sua casa hipotecada está prestes a ser tomada. Atordoado, resolve se suicidar. Quando vai pular no rio, vê um homem se afogando. O que George faz? Pula no rio para salvá-lo.
Quando já estão fora de perigo, começa a reclamar que nem mesmo consegue se matar. O homem então conta que na verdade foi ele quem o salvou. Que é um Anjo e estava ali para ajudá-lo. George grita, chamando-o de bêbado e que só queria não ter nascido. O anjo diz que está feita aquela vontade.
De volta, ao entrar num bar, lhe é servido um drink. Então dá uma bronca, dizendo que a condição do empréstimo ao proprietário daquele estabelecimento, foi que nunca vendesse álcool. Este manda colocá-lo para fora. Ao reconhecer o segurança que o retira, novamente protesta, lembrando que havia lhe ajudado a entrar na policia, com a condição que não fosse mais leão de chácara. Jogado na rua, vê as pernas de uma mulher, e confuso berra que o empréstimo para montar a manicure, era que não mais se prostituísse. Corre para casa e ao chegar só vê ruínas. Encontra sua própria mãe, que não o reconhece e afirma só ter tido um filho, morto na guerra. Desesperado procura a esposa e descobre que ela morreu, e está enterrada sob uma lápide com a seguinte inscrição: “suicidou-se por não suportar a solidão”.
Rapidamente George vai atrás do anjo, mas não o encontra. Começa a rezar chorando, pedindo sua vida de volta, com todas as dívidas e problemas. Ao abrir os olhos, a neve cai e tudo está normal. Chega ao lar, beija a esposa e os filhos. Abraça até mesmo os homens que vieram lhe tomar o imóvel, desejando-lhes Feliz Natal.
De repente, a campainha toca e lá estão o motorista de taxi, sóbrio; o policial honesto; a manicure digna; o dono de bar, que não vende bebida alcoólica; seu irmão e muitas outras pessoas, trazendo um pouco de dinheiro para quitar a hipoteca, evitando que perdesse a casa.
Só nos resta pensar o quanto nossa vida é significativa, para o bem ou para o mal. Como disse o clérigo Anglicano, John Wesley: “Faça todo o bem que você puder, com todos os recursos que você puder, por todos os meios que você puder, em todos os lugares que você puder, em todos os tempos que você puder, para todas as pessoas que você puder, sempre e quando você puder”.
Feliz Natal!