Nunca antes a posse presidencial americana foi tão aguardada pelo mundo. Numa época caótica, onde há guerras por todos os lados e a crise financeira internacional bate nossas portas, vê-se o antiamericanismo atingindo os maiores níveis da história, grande parte devido à guerra no Iraque e o estabelecimento de prisões ilegais por todo o globo. Em tempos assim é preciso ter esperanças, e agora está esperança tem nome e sobre nome: Barack Hussein Obama II.É emblemático que seja exatamente um afro-americano, de sobrenome Hussein, a nossa luz no fim do túnel. Mais interessante, quando se conhece um pouco de sua história, do seu brilhante pai, o Queniano Barack Sênior e, principalmente, da sua extraordinária mãe, Ann Dunhan, nascida no Kansas, mas quando morreu era cidadã do mundo. Obama viveu na Indonésia e no Hawai. Sentiu na pele o que é ser o “patinho feio” e agora virou Cisne. Provavelmente por isso defende o diálogo com líderes que muitos consideram inimigos dos Estados Unidos.
Um dos mais importantes pensadores da atualidade, Daisaku Ikeda, há décadas, vem pregando a idéia de que o diálogo constante é o caminho da resolução dos conflitos internacionais. Mais que isso, em sua presidência da ONG Soka Gakkai Internacional, instituição voltada para paz, cultura e educação, com base no budismo de Nitiren Daishonin, fez inúmeras viagens a China, mantendo contato com as mais proeminentes personalidades desta nação.
Na ocasião, diversas vozes se levantaram contra ele, pois a história transformou China e Japão em inimigos ferrenhos. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão cometeu um verdadeiro genocídio contra os chineses. Mesmo diante das ruidosas críticas, Ikeda continuou viajando e dialogando, construindo o que chama de “pontes da amizade”. Criou o intenso intercambio entre a Universidade Soka e instituições de ensino da China. Promoveu a entrega de prêmios entre personalidades destas milenares culturas. O resultado foi a derrubada de preconceitos e a aproximação entre os povos.
Outro exemplo foi o primeiro encontro com o então Primeiro Ministro da União Soviética, Mikhail Gorbachev. Ikeda foi das primeiras personalidades japonesas a serem recebidas no Kremlin no pós-guerra. Antes da reunião, conta-se que o clima era tenso, o que resultou de uma agenda rápida, de apenas 20 minutos. Porém, ao verem-se frente a frente, o líder budista fez questão de ressaltar a coragem do novo chefe supremo dos soviéticos, com suas políticas de “glasnost (transparência)” e “Perestróica (reestruturação)”. No fim, acabaram dialogando durante 40 minutos, e na saída, com toda sutileza, Ikeda contou ao líder soviético, que não havia beleza maior do que o desabrochar das flores de cerejeira, na primavera de Tóquio, convidando-o a ir assistir.
Então, pela primeira vez após 45 anos de intervalo, o Japão recebeu um Primeiro Ministro da URSS e as relações entre os países tiveram novo impulso. São “pontes da amizade” assim, que Barack Obama vai precisar construir com o presidente Sírio, Bashar al-Assad e com os líderes iranianos, Ali Khamenei e Mahmoud Ahmadinejad.
No mundo do Século XXI não é possível suporta a ignorância advinda do pensamento que somente o outro está errado. Precisamos aprender a respeitar a religião, os costumes e as tradições dos povos, sem imaginarmos que nossas crenças são superiores. Temos que lembrar quantos prejuízos sofre a humanidade, quando certo grupo se acha imbuído da única verdade existente. A inquisição, a dizimação das culturas indígenas americanas, o nazismo e tantas barbáries, que ceifaram a vida de milhões durante a história, são frutos destas idéias insanas.
Meu único alerta, é que não deixemos tudo nas mãos de Obama. Temos que exercer um papel ativo na construção desta nova sociedade. Combatermos nossos próprios preconceitos é uma forma de agir pela verdadeira mudança.
Tomara que o exemplo de Daisaku Ikeda possa inspirar Barack Obama a construir Pontes de Amizade por todo globo, criando a consciência das palavras de outro grande Presidente dos Estados Unidos, John Kennedy: "O laço essencial que nos une é que todos habitamos este pequeno planeta. Todos respiramos o mesmo ar. Todos nos preocupamos com o futuro dos nossos filhos. E todos somos mortais".
5 comentários:
Meu caro (não sei se em real, dolar ou euro, rsss...)
Nós somos cúmplices em muitos pensamentos a respeito de nossos brasís...e também nossa visão de mundo. Parabéns pelo artigo.
Posso publicar em meu humilde não-peródico????
J.G.Cardoso
(Aplausos)
(Silencio/Medo)
(Silencio/Algumas lágrimas)
(Sorriso/Esperança)
(De pé...APLAUSOS)
Para mim a vitória de Obama, foi como se todos os países tivesse ganho a copa do mundo ... Nosso mestre Daisaku Ikeda vem lutando por esta nova consciência a anos, e a vitoria de Obama mostra de forma forte que estamos caminhando para uma nova era, a era do humanismo.
Genial seu comentário meucaro colega!
Todos estão com sua atenção voltadas ao Obama. Espero que ele Faça um governo coerente e que não sejam apenas palavras fúteis e vazias.
Abração.
Matt
O Obama não significa apenas a esperança de dias melhores para os americanos, mas sim pra todo o povo do mundo. Temos que ler a biografia deste homem e te-lo como exemplo, não apenas para lembrar ou citar, mas sim para nos incenticar a cada dia que nos tambem podemos individualmente gritar todos os dias YES, WE CAN.
Um super abraço e aguardo anciosa o proximo artigo.
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